domingo, 31 de março de 2013

Festival do Secundário Gouveia '13


Bem, este vai ser um post enorme. Quem viu nas noticias, o São Pedro claramente não esteve a nosso favor e toda a gente local por quem passávamos nos dizia que em todos os anos nunca tinha acontecido igual.
No primeiro dia, começámos a conhecer pessoal logo no comboio. Eram duas raparigas de Oeiras e sinceramente foi o mais perto de nós que conheci durante os dias todos. Também lá estava uma universitária que ía a casa em Gouveia nesse fim de semana e que tinha marcado presença no festival durante 3 anos por isso deu-nos conselhos do melhor local para as nossas tendas e tudo o que poderíamos querer saber sobre o recinto, a organização, etc. Assim que chegámos à estação, apanhámos um autocarro específico já com o destino do recinto do festival, chegámos lá, tirámos as nossas malas e deixámo-las no chão à espera que um cão passasse lá para garantir que não transportávamos substâncias ilícitas. Eu só à bocado descobri que um rapaz foi detido por estar na posse de 150 doses de cocaína lá no festival e enfim, alguém lhe dê um pouco de inteligência e cabecinha. Depois, a entrada foi rápida e apressámo-nos a conseguir um local que desse para as nossas tendas todas juntas porque aquilo já estava cheio de tendas por todos os lados e vim a saber que houve gente a dormir de sábado para domingo à porta do recinto já a fazer fila para entrar. Foi um processo cansativo, andar com as malas atrás, de um lado para o outro e depois, montar as tendas à chuva e ao vento. A verdade é que comparado aos outros dias, nesse primeiro não estava nada mau, chovia e fazia vento e depois parava por uns momentos, sempre assim e dava-nos mão de manobra para conseguirmos pôr tudo em condições. Só para terem noção, no domingo almocei às 4 da tarde. Depois fomos dar uma volta e andei numa cena a que chamei a centrifugadora em que basicamente estamos esticados numa estrutura de três aros, a rodarem sobre si e fazerem-te dar voltas de 360 graus e em todas as direcções. Não sei bem explicar e tenho pena de não saber o nome. Depois fomos para a zona da piscina e ainda consegui participar no workshop de dança, dado pelo grupo Of Produções que são bestiais. Comprámos os bilhetes para os dias todos na tenda disco, cada um sendo um vale de uma cerveja ou sumo grátis e voltámos à tenda. O clima lá não é fácil, obviamente isso seria de prever e só de pensar naquelas raparigas que andavam de calções como se fosse Verão... Pronto, entretemo-nos todos nas tendas até às 11 e tal da noite e aí fomos para a tenda disco onde o pessoal se reunia todo a aproveitar. Às quatro da manhã voltámos à tenda, estávamos cansados da viagem e o estilo de música também já não me prendia lá, pelo menos a mim. Antes de dormirmos fomos tomar banho aos balneários, por ser uma hora menos propícia a apanharmos grandes filas e o facto é que não havia espaço para muita gente, apesar de haver imensos chuveiros. A verdade é que nessa noite só dormi das 5 e meia às 7 da manhã, não sei bem porquê mas não consegui dormir mais que isso, para não falar da ventania e imensa chuva que se fazia sentir e ouvir e eu pensei que o nosso oleado fosse voar. Aproveitando o imenso tempo livre, desperdiçado a olhar para as paredes da tenda feita prisioneira na solitária porque quem partilhava a tenda comigo estava a dormir, acabei por escrever um pouco visto que devo ter sido das únicas pessoas ou única mesmo a considerar um caderno e lápis como bagagem importante a levar para acampar.
Foi nesse momento que começou o dilúvio e o estrago nos nossos planos de actividades. Ficámos nas tendas o dia todo sem qualquer actividade disponível mas também ninguém se queria atrever a andar muito tempo fora da tenda, o vento e a chuva não paravam, eu estava noutra tenda com pessoal quando a tenda onde eu estava a dormir que tinha aguentado a noite inteira, começou a estrutura a desmontar constantemente uma parte por causa do vento fortíssimo e acabámos por não conseguir erguê-la totalmente. Esperámos por orientações, muitos do meu grupo já falavam em abandonar o local e ir para casa, e realmente foi o que aconteceu a 200 ou 300 participantes do total de 4000 que viram as suas tendas voarem ou cederem e foram embora, para não falar das tendas que sofreram infiltrações e pessoal que ficou com literalmente todas as suas coisas molhadas. Depois soubemos que havia a disponibilidade de passarmos a noite num pavilhão e o plano era o seguinte: desmontar as nossas tendas que estavam no cimo da encosta do recinto, levar todas as nossas coisas lá para baixo e montarmos apenas duas ou três tendas num local mais abrigado onde deixássemos tudo. Foi isso que fizemos, éramos 14, montámos três tendas, sendo uma delas para 4 de nós dormirem lá porque preferiam ficar com as coisas. Tomámos banho, jantámos, demos uma volta pelo recinto e fomos para a tenda disco again. A partir das 4 da manhã até às 7, tínhamos autocarros disponibilizados a fazerem rondas até 3 sítios: Bombeiros em Gouveia, Bombeiros em Vila Nova de Tazém e Escola de Tazém. Nós ficámos na escola, no pavilhão e quando lá chegámos, aquilo parecia um campo de refugiados, tivemos sorte porque conseguimos um lugar vago para nós e seria o último. Era malas e sacos cama por tudo quanto era sitio, nós tínhamos levado para lá o mais importante que devíamos ter connosco mas havia pessoal que ficou mesmo sem tenda onde pôr qualquer coisa e tinham lá tudo... Molhado. O fio que há para dividir o campo a meio foi um estendal improvisado e até havia toalhas penduradas na tabela de basquete. Os primeiros a chegarem lá, porque foram logo à tarde, conseguiram ainda alguns colchões de ginástica mas nós também não ficámos nada mal. Os balneários tinham água aquecida, mas não muito quente, apenas morna. Havia alguns aquecedores e fichas onde podíamos carregar os telemóveis (no recinto isso só havia nos balneários e eram tipo duas ou três no máximo, agora imaginem...). Eram 5 da manhã e estávamos nós a conhecer o pessoal ao nosso lado. Eram da Póvoa de Varzim, pessoal muito fixe e falávamos de tudo. Esses eventualmente sabíamos os seus nomes e tudo mais mas no festival todo, a pergunta de eleição não era "como te chamas?", mas sim "és de onde?" porque muita gente eu sabia o local e nem cheguei a saber nomes. Partilhámos comida com eles, entre-ajudávamo-nos e foi muito fixe.
No dia seguinte, soubemos que uma rapariga do nosso grupo queria sair do recinto porque tinha passado uma noite terrível, pensávamos que ía mesmo para casa mas foi um mal entendido e apenas passou a vir ter connosco à escola para passar a dormir lá. Havia autocarros também à tarde até às 4 e depois das 6 e meia/7 até às 10 e meia da noite, sempre a fazer o percurso escola-bombeiros-recinto. Nessa tarde de terça, eu e mais alguns esperámos pelo autocarro para irmos ao recinto. A cena mais engraçada foi estar no lobby do pavilhão, junto à entrada e ver uma rapariga a desligar uma ficha tripla que estava ligada a outra tripla e tentar ligá-la na própria tripla ahah. Lá no recinto, conseguimos um tempo sem chuva e voltei a andar na centrifugadora e estive na cama elástica a fazer mortais. Depois fomos almoçar, tipo às 5 da tarde, que foi quando começou o jogo de Portugal transmitido na tenda disco lá nos ecrãs gigantes mas nós não vimos e depois de passearmos tudo, voltámos ao pavilhão às 6 da tarde. A única cena má disto é que perdíamos um pouco de liberdade a nível de estarmos no recinto e nas actividades ou não dado que os horários e a lotação dos autocarros nos condicionavam porque de resto foi óptimo e acabámos por socializar muito mais estando ali com outro pessoal do que estarmos cada um nas suas tendas. Depois voltámos ao activo na night , o grupo dividiu-se, uns foram logo para a tenda disco enquanto eu e mais uns fomos experimentar a música de um bar junto da piscina e sem dúvida que a música era muito melhor porque na tenda àquela hora seria reggae e eu, pelo menos, prefiro música que dê para dançar, música mais "comercial" por assim dizer. Quando chegámos lá acima à tenda disco, uma amiga minha estava a ficar demasiado alegre e tinham-na trazido para fora da tenda para apanhar ar e eu fiquei lá mais um colega. Ficámos os três e foi aí que se deu uma das maiores surpresas. Estávamos ambos a mantê-la encostada a uma parede quando um rapaz não muito alto, de sweat, cap, barba por fazer, nos aborda e pergunta se está tudo bem com ela. O rapaz tinha ar de quem era muito fumador e bebia bem, dissemos que ela tinha bebido um pouco de mais e o meu amigo tentava despachar o rapaz visto que era o que menos precisávamos naquele momento, alguém a meter-se connosco. Acontece que ele nos aconselhou a dar-lhe água com sal, disse-nos onde tentar arranjar, o que fazer enquanto ela o bebia e nós íamos começando a aceitar com alguma estupefacção que ele estaria a ser realmente útil e só podíamos agradecer. Ele temia que não o estivéssemos a levar a sério, ele disse-nos que fazia a festa e tudo mais, só ía às aulas de segunda a quinta porque sexta já começava a aproveitar e que ficava muitas vezes em estados como aquele da nossa amiga, mas que quando era para estar nas aulas, era para estar nas aulas como deve ser e com cabeça e assim sabia estas técnicas de forma a pôr-se bom e em condições. Muito maior é o nosso espanto quando ele, sem qualquer propósito de se gabar, nos confessa que é de Aveiro, mas está a estudar em Lisboa (na Faculdade de Ciências se não me engano) porque entrou em Medicina com média de 19. Aí, é a sensação de que não só as aparências iludem como, fogo, nada é impossível. Continuou a achar que nós pensávamos que ele estava a gozar e quando apareceu uma rapariga amiga dele, a primeira coisa que ele lhe disse foi "Olha, diz-lhes lá se eu não entrei em medicina e com que média é que foi" e ela não só confirmou como corrigiu que foi média de 19,3 , que ele reforçou sendo em termos práticos 19. Isto sem a mínima cara de gozo, totalmente a sério e juro-vos que ninguém diria, ao olhar para ele ninguém diria mesmo. Entretanto, com o passar do tempo, ela melhorou, voltámos para dentro, escusado é descrever tudo lá. Às 5 da manhã voltámos para a escola e aí conhecemos pessoal de Lamas. Um deles era o Sousa mas o pessoal do Norte gosta de carregar na pronúncia, então um amigo meu disse "Olha, aquele é o Sousa" e o Sousa assim "Sousa? Quê? Souuuusa. Souuuusa. Ou me chamas Souuuusa ou não me chamas nada". Bem, foi um riso. A pronúncia deles para nós é tão estranha como a nossa para eles.
Na quarta à tarde, voltei ao recinto com um grupo diferente, voltei à centrifugadora e andei de slide. Os senhores da centrifugadora eram muito simpáticos e já me cumprimentavam quando nos cruzávamos no recinto em qualquer outro sitio. Demos uma volta pelas barraquinhas, confirmámos os horários dos autocarros e só voltámos ao recinto para a última noite. Foi brutal, dancei imenso e ainda me cruzei com um rapaz que conheço do sitio onde passo férias de verão todos os anos. Só o conheço de vista e já tinha passado por ele umas duas ou três vezes no festival mas nunca me cheguei à frente para confirmar que era ele porque provavelmente ele nem sabia quem eu era, ao contrário do que eu pensava até foi ele que veio ter comigo (apesar de já estar meio alegre demais) e foi giro, reconheceu-me e demos um high-five e tudo ahah Nessa mesma noite também tive uma rapariga a contar-me os dramas da sua vida.
É pena, já acabou. Apesar do mau tempo, foi uma experiência muito positiva, diverti-me imenso, conhecer pessoal é mesmo espectacular e eu sem dúvida que não me importava de voltar. As noites foram muito fixes, confraternizámos com montes de pessoal e o ambiente foi melhor do que eu estava à espera. Como diria o pessoal da Of, "não fica triste, pr'o ano há mais" ! Talvez comigo lá a marcar presença...
Se leram isto tudo até ao fim, merecem gomas e chocolates! E eu agradeço imenso a atenção.

ps: Harlem Shakes não faltaram, incluindo um no pavilhão com o pessoal acabado de acordar só para animar o ambiente no abrigo com o pessoal da Of

4 comentários:

Cassandra Lovelace disse...

É bom saber que gostaste, que te divertiste apesar das adversidades!
beijos, Cass

Cassandra Lovelace disse...

a serio que gostaste?

Cassandra Lovelace disse...

Por acaso, não era mau pensado! Mas é um tema um pouco cliché

Sofia Duarte disse...

Que giro! Sim, tive, ficou um pouco alagada mas mudei para a tenda de uma amiga! Oh, eu preferi ficar lá a dormir nas tendas... Já acampei em condições piores! Conheci pessoal que ficou de sabado para domingo lá à porta sim :)

Adorei, a música era do melhor e foi um ambiente brutal! Tu és de onde? :)